terça-feira, 17 de outubro de 2017

Economia Colaborativa é UBUNTU



Tenho observado, na área de empreendedorismo, uma mudança de comportamento muito interessante. As pessoas, ao invés de verem seu próximo como rivais, vêem parceiros de trabalho com quem podem compartilhar idéias e experiências positivas e negativas sobre seus empreendimentos.


Lembro que em minha infância empresas "rivais" do mesmo ramo disputavam entre si nas propagandas de televisão, através do desmerecimento do produto do concorrente, tentando atrair para si mais clientes.

Já adulta, li um livro muito interessante escrito por Napoleon Hill em 1908, chamado “A Lei do Triunfo”. Na obra, ele apresentava o resultado de uma pesquisa que havia feito com milionários de sua época, a fim de desvendar o segredo do sucesso destes.

Uma das práticas que mais me chamou a atenção foi a criação do chamado master mind, um grupo no qual empresários bem-sucedidos da época reuniam-se para compartilhar ideias e soluções para seus empreendimentos, acelerando assim seus negócios.

Lembro de ler o livro com muito encanto, chegando inclusive a falar com algumas pessoas sobre estas idéias – e tentando, sem sucesso, criar um master mind para chamar de meu.

Meus ouvintes ainda estavam agarrados ao medo do "roubo" de suas idéias, temendo que outros utilizassem suas técnicas para sucesso próprio.

Anos depois, vi a chegada da chamada economia colaborativa em nossa sociedade. Neste modelo econômico impera o trabalho coletivo, a troca de idéias, o uso comum do espaço de trabalho (co-workings), as rodas de conversas (o master mind!) e até mesmo a volta do escambo como forma de pagamento por produtos e serviços.

Foi quando percebi que, na verdade, esta forma de operar era ainda mais antiga do que eu imaginava. Havia um conceito, anterior aos tempos de Napoleon Hill, chamado UBUNTU.

Trata-se de um conceito muito difundido em comunidades africanas, em que as pessoas têm uma vida totalmente comunal (chegando ao "extremo" de considerarem que qualquer criança nascida ali na tribo é filha de toda a comunidade, e não somente de seus progenitores).

O Ubuntu é a essência do 
senso de coletividade, e faz com que todos se tornem um só – e com que o sucesso ou o fracasso de um diga respeito a todos. Ele traz uma noção de co-responsabilidade entre as pessoas e em cada detalhe que permeia suas vidas.

Se aprendermos com estas civilizações, e tornarmos este conceito a nossa prática, nos libertaremos para realmente abraçar os empreendimentos do nosso próximo, e a valorizá-los como se fossem nossos próprios. E, consequentemente, não mais teremos medo de compartilhar nossos segredos e idéias para alavancar os do outro.

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