terça-feira, 17 de outubro de 2017

ENSAIÃO com Terra Negra


ENSAIÃO - foi como me atrevi a nomear este maravilhoso ensaio [ou seria  show?] da banda Terra Negra, que surge na capital mineira com uma proposta rica e inovadora.

Com um batuque, na forma afro do Rock, no dia 05 de outubro de 2017, esta banda compartilhou com o público seu ensaio, permitindo um desfrute do seu momento mais íntimo.

O interessante é que quando eu recebi o convite para o evento, eu não tinha atentado para o fato de estar sendo convidada para um ensaio. Eu li, mas não processei a informação, sabe como?

E então cheguei ao bar, meio que aguardando um show com nome de ensaio.

Senti os integrantes da banda um tanto quanto tranquilos nos minutos que antecedem o show…

E então, em um momento da noite, eles começam a passar pelas mesas falando com as pessoas que iriam ensaiar no piso de cima do bar e convidando, informalmente, as pessoas a compartilharem deste momento.

E então sobem… Afinam seus instrumentos, conversam entre si, tocam e cantam com leveza, envolvendo a todos que ali estavam. A todo momento, convidam as pessoas a participarem e compartilharem o espaço do palco.

O momento era para todas e todos poderem ter a oportunidade de viver juntos um momento artístico.

Eu estava sentada ao lado de uma poetisa. Estávamos conversando sobre o projeto Nós Temos um Sonho, que até então ela desconhecia… E isso nos levou a uma intensa reflexão sobre o amor e a tolerância religiosa (odeio este termo “tolerância” - podemos chamar de respeito religioso?).



O som da banda ensaiando, nos permitia o desguste de refletir sobre assuntos tão pertinentes à comunidade negra, enquanto ouvíamos a música, que deixava todo o ambiente inundado de amor.


Esta poetisa se chama Soraia Feliciana. Todas as palavras que saíam de sua boca, saíam com amor. Uma mulher extremamente sensível que conseguiu me ouvir e me acolher e com quem tanto aprendi.

Eu queria que ela declamasse ao menos uma de suas poesias. Ela não quis, levada por sua timidez. Respeitei, embora quisesse muito.

Em um determinado momento, alguns jovens chegam… E aceitam o desafio de compartilhar o palco. Tocam, mostram seus talentos.

Os integrantes da banda Terra Negra retornam ao palco, e tocam junto com a banda destes jovens… Um momento lindo, onde os mais experientes compartilham do mesmo palco da juventude que se inicia no mundo da arte.

Eles não haviam ensaiado juntos antes. Improvisaram, tocaram, fizeram arte ao vivo, sob o olhar e o sentir de uma platéia encantada.

Era difícil definir o tipo de evento do qual eu estava participando… Era um show, mas um show onde a plateia é convidada a subir no palco e pegar o microfone… Então não era um show… Era simplesmente uma partilha.

A banda Terra Negra simplesmente trouxe a possibilidade de se construir a arte coletivamente.
Enquanto isso, eu escrevia - muito do que está aqui, escrevi durante o ensaio. Escrevia sobre o meu sentir, sobre o que cada acorde dizia ao meu coração.

E foi então que entendi. Terra Negra é terra para manifestação da cultura negra. Em forma de poesia, em forma de canção, em forma de protesto, em forma de afeto.

Terra Negra, é um espaço de sonhos construídos coletivamente.

Terra Negra é terra fértil, onde florescem as boas sementes que um dia foram plantadas pelos ancestrais negros e que agora, em conjunto podemos regar em forma de canção.

Terra Negra é Ubuntu. São porque somos.

Terra Negra é afeto emancipatório transmitido em acordes.

Terra Negra é uma banda que, com sua simplicidade, traz uma riqueza musical tremenda e se abre para ensaiar diante de seu público.

O que fica em meu coração é um sentimento de gratidão e a grande expectativa em participar do próximo ensaio. Ou seria um show coletivo?

Acompanharei de perto esta trajetória para que eu consiga desvendar.

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