terça-feira, 17 de outubro de 2017

O ciclo de pobreza



Existe uma reflexão que tenho feito há algum tempo que é sobre o que chamo de "CICLO DE POBREZA".

Além da opressão do sistema atual de nossa sociedade que, pelo racismo institucional, submete a população negra a postos de subserviência com salários de subsistência, observamos também que este comportamento de desvalorização profissional também ocorre entre pessoas negras.

Observamos que sempre é cobrado dos negros (especialmente os ativistas) o dever de pensar na situação de pobreza da comunidade negra brasileira, antes de precificar seus produtos e serviços. E esta ação de baixa remuneração mantém a população negra no status quo econômico.

Se um profissional não é bem remunerado, ele não terá dinheiro suficiente para remunerar o outro, e isso os manterá em um infindável ciclo de pobreza.

É necessário que não se perca a visão de trabalhar esta justa remuneração dos profissionais negros.

Ao mesmo tempo, obviamente, é necessário também que não se desampare os que possuem dificuldades financeiras. Para tanto, soluções como a oferta de formas facilitadas de pagamento ou troca de serviços de igual valor podem ser uma saída para que este ciclo de pobreza se interrompa.

Seguindo adiante com a reflexão, é válido refletirmos sobre o por quê dos próprios negros desvalorizarem seu próprio trabalho e também de seus pares.

Será a falácia racista que pressupõe que "os negros tem preconceito consigo mesmos"?

Não, não é uma questão do preconceito racial tal qual o protagonizado pela branquitude, pois não há uma possibilidade de relação de opressão entre pessoas do mesmo local de discriminação.

Eu particularmente acredito que  trata-se, na verdade, de uma herança ancestral, passada de geração em geração, e embutida no subconsciente cultural de toda uma população que se viu sempre marginalizada em todos os espaços sociais.

Como falei uma vez em um vídeo sobre o desamparo aprendido, esta sensação de que "isso não é para mim" perpassa todas as relações entre a comunidade negra, levando-a a acreditar que espaços de poderes midiático, político e econômico não foram feitos para que a ocupem.

E este auto-olhar negativo, com sentimento de não-merecimento, faz com que o olhar que temos para nossos pares etnico-raciais de contamine. Ou seja, o pensamento inconsciente é: "se este local social 'não é para mim', é porque ele não foi feito para ninguém semelhante a mim".

E isso gera este ciclo pernicioso, que faz com que se acredite que almejar prosperidade plena seja visto de forma demonizada.

Nossos ancestrais africanos e muitos de nossos contemporâneos foram e são escravizados pelos detentores do poder. E, no inconsciente coletivo, almejar alcançar um status social midiático, político e financeiro, no subconsciente negro, seria como vestir a roupa do opressor.

Além disto, temos, enraizada em nós, a cultura da escassez, que nos faz acreditar que são poucos os espaços de prosperidade social reservados para nós na sociedade.

Sim, ocupamos poucos espaços de poder na sociedade. Mas isso não significa que não possamos ocupá-los em massa. Não precisamos ter o olhar de que somos uma "cota" que precisa competir entre si para alcançar um lugar ao sol. Ao contrário, o segredo de nossa ascensão está em aprendermos a nos unir, em uma só forma, torcendo uns pelos outros, nos incentivando mutuamente para que juntos, possamos ocupar oS espaçoS que nos pertenceM.

Que aquele que "lá chegar" seja valorizado e que ele não se esqueça da missão de incentivar os que ainda lutam. E que aqueles que ainda lutam, entendam que eles também tem condições de "chegar lá".



Tem espaço para todos nós! Não precisamos competir entre nós pela "vaga única", a qual nos fizeram acreditar.

É necessário que valorizemos o suor de nossos ancestrais, que tanto lutaram, de geração em geração, pela igualdade de direitos. É necessário que nos permitamos humanizar e sonhar com projeções futuras brilhantes e encantadoras!

É direito nosso. É herança nossa possuir o que nossos antepassados garimparam e construíram com tanto suor.

Que possamos nos alegrar com a prosperidade financeira de nossos irmãos e que possamos ajudá-los a alcançar a tranquilidade de vida que desejamos para nós mesmos.

"Sou Porque Somos" - Ubuntu.

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