segunda-feira, 26 de março de 2018

O pôr do sol

Eu, e a minha busca pelo meu eu maior.

Fotografia: Angel Jackson Fotografias 
Uma das poucas certezas que eu tenho é que eu sou uma eterna inquieta.

A minha inquietude vem como uma sensação de não encontrar nenhum lugar que me caiba, sabe como?

É que no fundo eu percebo que minha grandeza é tão potente que sempre busca espaço para se expandir, e que nunca encontra espaço suficiente para essa expansão.

Eu estava esses dias pensando sobre a minha vida profissional. E o que sinto é que ainda não me encontrei, mas não no sentido de não saber meus talentos ou de não saber os meus potenciais.

Mas a sensação é eu reconheço tantos potenciais em mim mesma, que eu não consigo focar num lugar só.

Ontem vi uma foto de um pôr do sol. Eu fiquei pensativa ao observar aquela foto.

E, olhando para o sol, me entendi.

É praticamente impossível esconder o sol. Se ele não está brilhando num lugar, é porque ele está brilhando em outro. E mesmo onde ele não brilha diretamente, ele deixa marcas de sua luz, através de outros astros, como luas e planetas. E mesmo quando a lua tenta esconder o sol, em torno dela se forma um arco com o brilho dele.

Assim eu me sinto. Como alguém que jamais vai aceitar ser escondida. Acho que é por isso que eu nunca me submeti.

As relações nas quais de alguma forma tentaram me submeter ou me esconder, foram relações tensas e falidas.

Talvez por isso também, eu nunca consegui ser uma boa funcionária. Eu precisei ser uma empreendedora para poder brilhar com toda a minha potência e liberdade.

Com meus pais, nem se fala! Minha mãe sempre disse que eu sou “a que mais deu trabalho”. Eu nunca tinha entendido essa frase tão bem quanto hoje eu entendo. A verdade é que todas as vezes que tentaram me dar ordens sem explicação, todas as vezes que tentaram me imputar regras que para mim não faziam sentido, eu recebi palmadas e fiquei de castigo. A questão é que eu preferia receber a consequência pela desobediência do que obedecer sem ver sentido.

Toda vez que tentaram anular a minha essência, ou que tentaram abafar todo o meu potencial, eu briguei, esperneei e explodi com a mesma potência das explosões do Sol.

Eu sou como o sol que não consegue focar sua luz numa direção só, mas que é explosivo,quente, forte, potente e sabe sobre a sua majestade.

É impossível esconder a luz do Sol e é impossível me esconder também.


Hoje, mais do que nunca, eu sei desse meu potencial.

E agora que eu sei de todo poder que eu tenho, toda aquela minha “subversividade” faz todo sentido para mim.

Mas agora que eu sei o poder que há em mim, eu não sei o que fazer com ele.

E por isso - agora falando das redes sociais e da vida profissional - eu me escondi, como o Sol que se põe, para se preparar para brilhar no novo dia majestoso, único e poderoso!

Nesse momento, me encontro quieta como o sol que já se pôs. Eu sei que meu brilho está aí nas minhas crianças, nos meus amigos e em tudo o que eu já construí ou toquei.

Neste instante, eu estou me preparando para brilhar novamente em algum momento. Ainda não sei como será o novo dia, depois que eu sair do meu pôr do sol. Mas eu não me preocupo com o que virá. Não há como o brilho do sol trazer algo que não seja maravilhoso.

Sei que para quem vive na escuridão, na caverna ou na solitária prisão, minha luz fará com que os olhos se fechem e se incomodem, fazendo com que os raios pareçam algo ruim e perverso. Mas é luz, e eu sei que no primeiro momento essa luz vai sim incomodar a quem ainda não encontrou o seu brilho.

É que a primeira reação de quem está na escuridão, ao se deparar com tão forte luz, é a de fechar os olhos e reclamar. Mas, aos poucos, pelo meu insistente brilho que não vai desistir de reluzir, as pessoas vão se acostumar, abrindo aos poucos os seus olhos, reconhecendo minha majestosa iluminação, se sentindo confortáveis diante dela, desejando que aquele brilho nunca mais se apague e que o sol nunca mais se ponha.

E o mais interessante é perceber que ao vislumbrar este futuro, eu vislumbro também o futuro dele. É que eu sei que chegarão outros momentos da minha vida em que, como o Sol, será necessário novamente me pôr para que eu me renove para um novo resplandecer...

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